quarta-feira, 13 de julho de 2011

Causos do Arantinho


por Arantinho

O CORVINA I

Num desses verões apareceu no Pântano do Sul um tal de Régis. Como era bem magro logo ganhou um apelido, Corvina. Disse que veio do Sul, era “Magrinho do Bonfa”. E o povo la sabia o que era isso?
Se encostou nesse lugar , grudou, bebeu água demais, não queria ir mais embora.
Entrava nas casas , abria a geladeira e bebia café sem ser convidado, falava demais, muito papudo.
Então falei com um amigo meu, que na época era motorista da Empresa Santo Anjo, que fazia a linha Florianópolis Porto Alegre, para levá-lo de volta. Fui na Rodoviária e comprei a passagem no horário do meu amigo. Passagem só de ida.
Ainda levei o “estepô” para ver ele fazer o embarque. Comprei doces e frutas para o “escumungado" não passar fome durante a viagem. Ainda falei para o motorista meu amigo: “Por amor de Deus , só me salta esse bicho lá em Porto Alegre”.
Fui para casa feliz e aliviado por ter despachado aque la “mala” , que já estava por demais inconveniente lá no nosso lugar.
No outro dia acordei bem cedo e fui até a praia. Não acreditei no que vi sentado a beira mar, o Corvina em carne e osso. Perguntei-lhe: “Ué, não tinha sido viajar para visitar tua família?” Ele respondeu: “Estava indo, mas cheguei em Tubarão me bateu uma saudade desse lugar que só esperei o ônibus parar para o povo tomar café e, enquanto isso, escapei e peguei uma carona na hora. Por isso estou aqui tchê, para minha alegria.”
Mereço, pensei, só mesmo para alegria dele, porque para nós era uma grande tristeza. Ele havia fugido do ônibus e meu amigo, o motorista nem viu. Agora, vamos ter que arrumar outro jeito para mandar esse gaúcho ”Magrinho do Bonfa" de volta ao Sul.
Essa “estória" do Corvina me fez lembrar o causo do seu Manuel Juvenal, lá da Caeira da Barra do Sul. Disse-me ele que certo dia resolveu desertar o seu próprio gato , pois já estava velho e lhe incomodando muito. Mas tinha que ir bem longe porque sua esposa, dona Marcelina, gostava muito do gato. Pegou então sua canoa de borda lisa, içou a vela e atravessou o canal em direção a Barra do Aririú, no continente. Chegou lá conversa vai , conversa vem , bebeu umas cachaças e quando ninguém percebeu jogou o gato no mato.
Já estava anoitecendo quando botou a canoa n’agua e rumou de vol ta para casa, na Caeira da Barra do Sul. Quando a canoa bicou na areia da praia o primeiro que pulou foi o ”marvado do gato”. Ele veio escondido debaixo do paneiro e seu Juvenal não viu. Seu Juvenal ficou mais assustado do que o gato , mas ainda falou de dedo em riste para o bichano: ”Seu disgramado, um dia tu vais me pagar”. O gato deu três pulos e já estava na cozinha de dona Marcelina. Ela ficou muito feliz em ver o gato pois já tinha procurado por ele a tarde inteira. Nem passou por sua cabeça que seu marido Juvenal quase o tinha desertado.

Colaboradora: Kátia Lorenzon Vieira

0 comentários: