
por Arantinho
O CORVINA II
Me ligaram da delegacia para ir até lá resolver um problema do meu “irmão” Régis. Ué, não tenho nenhum irmão chamado Régis, só pode ser coisa do Corvina.
Fui até a cidade, na delegacia, e lá estava o Corvina preso. Disse o delegado que me chamou porque o Corvina disse que era meu irmão.
Resolvido o mal entendido “familiar” Corvina contou-me porque tinha sido preso. Disse-me que havia um culto evangélico na praça da Bandeira. Aquela praça estava lotada de gente e que o Pastor fazia preces nas pessoas. Entrou na fila para receber a bênção. Mas o Pastor não gostou de sua vestimenta. Também pudera, estava enrolado em cangas, pois tinha vindo da praia. Chamou os seguranças e o colocaram para fora do altar.
Se recusou a sair, depois de receber uns “safanões” se mandou do culto.
Andou pelas ruas vazias da cidade, era sábado à tarde. Ia ele todo enrolado em cangas, parecia uma “pomba gira”. Entrou na única porta aberta naquele sábado, a Catedral. Naquele momento estava acontecendo um casamento e o noivo estava “emperado” na porta da igreja à espera da noiva. Entrou o Corvina, vestido daquele jeito, no meio do casamento. A igreja lotada de convidados não acreditava naquela cena. O Corvina parecia até a noiva entrando na igreja, tantos eram os acenos que ele dava para todos os lados. Sentou no primeiro banco, onde sentam os padrinhos.
Os organizadores do casamento perceberam a situação e logo sentaram ao lado do Corvina. Foram empurrando - o devagarinho, devagarinho, deslizando sobre o banco da igreja sem que ninguém percebesse a “manobra”. O Corvina parou na sacristia. Lá, longe de todos, o trancaram na sala do padre.
Foi aí que chamaram a polícia, pois ele havia fugido pela porta de trás da igreja, na rua Arcipreste Paiva e caminhava em direção à praça da antiga Telesc, vestido de padre, dentro de uma batina branca “novinha em folha.”
Foi preso e ainda disse que era meu irmão, aquele triste! Mas paguei a fiança para soltá-lo e o levei direto para a rodoviária para despachá-lo, mais uma vez, à sua cidade natal, Porto Alegre. Aliás, naquele estado em que se encontrava, cidade de onde jamais deveria ter saído. Nunca mais voltou, graças a Deus!
Talvez esteja fazendo “varia” lá pelo sul ou pelo céu.
Colaboradora: Kátia Lorenzon Vieira
1 comentários:
Muito engraçado. Esse Corvina aprontava hein?
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